Apostas desportivas em e-sports 2026: nem e-sports na lista, nem no sportsbook
Índice de conteúdos
- O que separa uma escolha de outra: oito plataformas, uma lista fechada
- Fundamentos: o que uma aposta desportiva é, e o que a lista permite
- Panorama: os e-sports existem, e é precisamente isso que os exclui
- Enquadramento: quem pode oferecer, e o que sobra a quem aposta sem licença
- Fiscalização: o que a lei proíbe e o que acriminaliza
- Jogo responsável: o que a lei exige e o que deixa a cada operador
- Incentivos: onde um bónus ganha ou perde dinheiro
- Calendário: torneios que existem, mercados que não podem existir
- As oito plataformas, uma a uma
- Bónus, impostos e o que a licença não diz
- Perguntas frequentes
O que separa uma escolha de outra: oito plataformas, uma lista fechada
Escolher entre as oito casas que exploram apostas desportivas à cota em Portugal é escolher entre conjuntos de ferramentas, não entre marcas mais ou menos legítimas. Nenhuma delas tem mais direito a operar do que outra, e estar na lista do regulador diz tanto sobre e-sports como um número de telefone: nada. É por isso que a comparação começa pelos limites e pelo jogo responsável, e só depois chega aos bónus.
Dados confirmados com a lista «Entidades licenciadas» do SRIJ em 30 Outubro 2026.

| Marca | Licença e entidade | O que os termos próprios establish |
|---|---|---|
| Casino Portugal | n.º 007 · SFP Online S.A. | Depósito e levantamento dentro da app; acesso aos principais eventos desportivos; 18 anos e conta registada para apostar |
| ESC Online | n.º 008 · Estoril Sol Digital, Online Gaming Products and Services, S.A. | Uma aposta grátis de 10 € por cada 10 € apostados a cotas de 2.00 ou superiores; ganhos pagos em dinheiro real |
| Betano | n.º 018 · Kaizen Gaming International Limited | Boas-vindas multiproduto em quatro etapas, até 250 € no total |
| Placard.pt | n.º 013 · SAS Apostas Sociais, Jogos e Apostas Online, S.A. | Aposta mínima de 0,10 €; limite máximo definido pelo operador e variável com o evento; ferramentas de limite e autoexclusão de três meses |
| Betclic | n.º 001 · BEM Operations Limited | Cash Out e modo FastBet em três toques; patrocínio da Federação Portuguesa de Futebol e da Liga Portugal Betclic |
| LeBull | n.º 027 · Southern Stingray, S.A. | Futebol, ténis e basquetebol, com app; remessa para a autoexclusão do SRIJ e recomendação de limites de tempo e valor |
| bwin | n.º 002 · GOBET-Entretenimento, S.A. | Transmissões em direto; depósitos por MBWay, Multibanco, PayPal, Visa, MasterCard e Apple Pay |
| Solverde | n.º 024 · Solverde – Sociedade de Investimentos Turísticos da Costa Verde, S.A. | Aposta mínima de 0,10 €, sem máximo fixo; sem Cash Out; ganhos em 15 minutos |
A última coluna não tem uma única linha sobre e-sports. Nenhuma das oito a menciona. Isso não é coincidência nem omissão publicitária: vem de uma lista fechada, atualizada pelo regulador, que não inclui nenhum e-sport.
Fundamentos: o que uma aposta desportiva é, e o que a lista permite
Uma aposta desportiva é uma transferência de valor sobre um prognóstico relativo ao resultado de uma competição desportiva previamente identificada. O resultado tem de ser incerto e não pode depender da vontade dos participantes — é esta a condição que separa a aposta desportiva de tudo o que lhe se assemelha. E uma aposta à cota é aquela em que o jogador se defronta com o operador sobre uma cota de 1,00 ou mais, fixada de antemão, com prémio igual à aposta multiplicada pela cota (art. 4.º).

A segunda condição do parágrafo anterior faz quase todo o trabalho. Se o resultado depende da vontade de quem participa, o fator humano deixa de ser factor e passa a ser[]{ e a aposta deixa de ser uma aposta desportiva legal em Portugal. É por isso que a lei não precisa de uma lista de jogos permitidos para saber o que é: precisa da lista para dizer o resto.
Sobre o que se pode apostar, a resposta não vem de uma licença, vem de um catálogo. Só se pode apostar sobre as modalidades, competições e eventos que constem da lista aprovada pelo SRIJ, e as apostas online não reguladas estão proibidas (art. 5.º n.os 4 e 5). A lista não é um catálogo de desejos de operador: é fechada, o regulador pode alterá-la, e ela própria fixa, por modalidade, os tipos de aposta, os momentos e os tipos de resultado admitidos.
O que lá está dentro: andebol, atletismo, badminton, baseball, basquetebol, ciclismo, críquete, dardos, desportos de inverno, desportos motorizados, futebol americano, futebol, futebol de praia, futsal, golfe, hóquei em campo, hóquei em patins, hóquei no gelo, MMA, padel, pólo aquático, rugby, snooker, surf, ténis, ténis de mesa, voleibol, voleibol de praia e os Jogos Olímpicos. Admitem-se apostas simples e múltiplas, antes do evento ou em direto — mas o direto só nos tipos de resultado que a lista assinala.
A granularidade é a parte que os títulos dos bookmakers escondem. Em futebol, «próximo marcador» e os mercados da prolongação e dos penáltis só existem em direto. «Pontapé de saída» só existe antes do evento. Os mercados mais usados — 1X2, golos, cantos, handicap, resultado exato, primeiro marcador — admitem os dois momentos. E os mercados rápidos de «próximo minuto» e «próximos 5 minutos» não são permitidos. Uma aposta que uma casa apresenta e que a lista não cobre não é uma aposta generosa: é uma aposta sem licença.
Há duas proibições categóricas. As categorias de formação estão fora — é proibido apostar em qualquer evento, teste ou competição abaixo do escalão sénior (art. 5.º n.º 6) — e quem possa influenciar um resultado (treinadores, árbitros, atletas, agentes) não pode apostar em eventos a que esteja ligado (art. 6.º i)).
Panorama: os e-sports existem, e é precisamente isso que os exclui
E-sports são competitions de videogame, normalmente organizadas entre jogadores profissionais, a solo ou em equipa. A definição é quase tautológica, e por isso a categoria vive de títulos e não de Stuart desporto. Entre os títulos mais populares contam-se League of Legends, Dota 2, Counter-Strike, Valorant, Overwatch, Call of Duty, Fortnite, Rocket League e StarCraft — cada um com a sua cena, os seus regionais e o seu calendário próprio.
Os torneios seguem a mesma gramática: o Campeonato do Mundo de League of Legends, o The International do Dota 2, o Evolution Championship Series para jogos de luta e o Intel Extreme Masters. O The International 2021 do Dota 2 pagou um prémio total superior a 40 milhões de dólares (US$), o maior da história dos e-sports até então — e a escala subiu desde então: o Esports World Cup 2026 decorre em Paris, de 6 de julho a 23 de agosto de 2026, com prémio total de 75 milhões de dólares (US$) e 24 jogos, contra os 71,5 milhões da edição de 2025, em que a Team Falconsivez o Club Championship defendendo o título de 2024.
Setenta e cinco milhões de dólares em prémios não são uma reality de multimilhões. São, para uma casa de apostas com licença portuguesa, uma modalidade que não consta da lista. E é aqui que vale a pena ser preciso, porque a imprecisão custa dinheiro a quem a sofre: a lista de modalidades e competições, atualizada a 9 de outubro de 2026, não nomeia nenhum e-sport nem nenhum desporto virtual. Não se trata de uma proibição com nome — ninguém legislou a exclusão do Dota 2; o que existe é um catálogo fechado do qual o e-sport não consta. A diferença importa: uma proibição por lei seria contestável; um item ausente de uma lista administrativa só sai de lá quando o regulador o põe.
O mesmo corte vale para a política e para os prémios de entretenimento, que também não constam. E note-se o detalhe: a lista não foi Shapes fechada por esquecimento. Está atualizada, tem data, e tem método.
Enquadramento: quem pode oferecer, e o que sobra a quem aposta sem licença
O SRIJ — Serviço de Regulação e Inspeção de Jogos, integrado no Turismo de Portugal — concede, estende, suspende e revoga licenças, emite regulamentos e decide os casos de contraordenação. Mantém o registo de entidades licenciadas e dos seus sites, e o registo central de autoexcluídos e de quem está impedido de apostar (art. 47.º). O regime que lhe serve de base é o RJO, Anexo I do Decreto-Lei n.º 66/2015, de 29 de abril.

As apostas desportivas são uma categoria de licença própria, «apostas desportivas à cota» (art. 5.º n.º 1 a), e cada categoria é uma licença separada (art. 12.º n.º 1). Uma marca com licença de casino e uma sportsbook tem duas licenças com listas distintas: a licença de casino não diz nada sobre o sportsbook. A licença dura três anos, renovável em períodos de três anos, e vem acompanhada de garantias de 500 000 € e 100 000 €.
Três regras fecham o perímetro. Uma licença estrangeira não vale em Portugal (art. 9.º n.º 3). O site tem de estar sob .pt, com todo o acesso vindo de Portugal redirecionado para lá (art. 28.º n.º 1). E o site tem de ostentar o logótipo do SRIJ e a referência da licença (art. 30.º).
A lista «Entidades licenciadas», atualizada a 19 de outubro de 2026, nomeia 19 marcas; 13 detêm a licença de apostas desportivas, dez delas em atividade e três suspensas a pedido do próprio operador. Uma suspensão é uma pausa voluntária: não é revogação, não é estado offshore, e o título de quem tem uma licença continua válido enquanto durar. Das restantes, umas são só casino. E a lista não esgota o mercado: existem outras marcas licenciadas que não estão aqui, e a ausência de uma marca não a torna ilegal.
Bet365, Betway, Unibet, William Hill, 1xBet e 22bet não constam da lista. Nunca são descritos como licenciados em Portugal. Offshore sites que aceitam jogadores portugueses existem e aparecem em resultados de pesquisa, com domínios .com e licenças estrangeiras; nenhum deles é licenciado aqui, e nenhum se descreve aqui com detalhe de bónus ou método de pagamento.
O truque estrutural do quadro legal está na primeira regra: a lista é o teste. Estar numa comparação de sites não é ter licença; a licença estrangeira não se converte em licença portuguesa por aparecer num anúncio. É a única verificação que importa, e é uma verificação de uma consulta, não de uma pesquisa.
Fiscalização: o que a lei proíbe e o que acriminaliza
Oferecer jogos e apostas online em Portugal sem licença — explorando, promovendo ou disponibilizando a partir de servidores no estrangeiro — é crime (art. 49.º), punido com prisão até cinco anos ou multa até 500 dias. O SRIJ afirma que qualquer operador com site acessível a partir de Portugal e sem licença age illegalmente, e que quem aposta num site desse pode enfrentar uma contraordenação com coima entre 2 500 € e 25 000 €. Isso é o que o regulador escreve; a classificação jurídica dessa contraordenação não está estabelecida, e nenhuma coima efetivamente aplicada foi localizada — os números do SRIJ são de ameaça de coima, não de condemnações.
O bloqueio é a ferramenta de trabalho, nos arts. 47.º e 31.º. O SRIJ notifica o operador para cessar em 48 horas; se não ceder, notifica os prestadores de serviços intermediários, que têm de tornar o acesso impossível em 48 horas. Até 31 de março de 2026, o SRIJ contava 1 739 notificações a operadores ilegais, 2 930 sites notificados a prestadores e 71 participações ao Ministério Público. Notificações para bloqueio. Nenhum site foi bloqueado.
Do lado do apostador, o quadro é assimétrico e vale a pena dizê-lo sem dramas: num site sem licença não há verificação de identidade, nem ferramentas de limite, nem registo de autoexclusão, nem supervisão. Quem prefere esse caminho não está a escolher a versão mais barata da mesma coisa — está a escolher uma coisa sem qualquer supervisão regulatória nenhuma. Nenhuma promessa de que a opção licenciada seja a seguras por omissão, porque também não é: tem verificação antes do uso pleno e não tem tecto legal em euros. Duas colunas com lacunas, lacunas diferentes.
Quanto à publicidade, o art. 21.º do Código da Publicidade (Decreto-Lei n.º 330/90) continua em vigor e obriga a publicidade a jogo e apostas a ser socialmente responsável, a proteger menores e grupos vulneráveis, a não apelar a ganhos fáceis, a não sugerir sucesso, estatuto social ou aptidões especiais, e a nãovared encouragedar jogo excessivo. Não pode dirigir-se a menores nem aparecer em escolas ou instalações de menores, ou num raio de 250 metros delas, nem estar ligada a empréstimos. O que não está estabelecido — e por isso nunca se escreve — é uma janela horária de televisão ou rádio, uma proibição de influenciadores, uma proibição de patrocínio ou um texto de aviso obrigatório. Patrocinar clubes e ligas é prática de mercado, não norma legal; as iniciativas parlamentares de setembro de 2025 e de junho de 2026 sobre publicidade, influenciadores e patrocínio são propostas.
E para quem chega aqui com uma dúvida de fiscalização prática: o SRIJ é quem fiscaliza esta máquina, e um limite fixado em euros contra uma casa concreta não é matéria de lei. O projeto de reforço da autoexclusão de 9 de junho de 2026 é proposta, não lei.
Jogo responsável: o que a lei exige e o que deixa a cada operador
A idade mínima é 18 anos. A identidade verifica-se com Cartão de Cidadão, Chave Móvel Digital, uma verificação em tempo real através do SRIJ ou cópia de um documento (art. 37.º). Uma conta por pessoa e por site (art. 40.º n.º 2). Pagamentos em euros, contra conta nominal: o registo exige NIF e os identificadores da conta de pagamento do próprio jogador, e os levantamentos só vão para essa conta; um operador não pode fazer empréstimos ao jogador. Não há jogo anónimo.
O ponto que merece ser lido com atenção: não existe tecto legal em euros para a aposta, o depósito ou a perda. O que a lei exige é um mecanismo. O plano de jogo responsável do operador tem de permitir ao jogador limitar os valores depositados e as apostas realizadas, e o SRIJ exige pelo menos um limite diário, semanal ou mensal — válido apenas no operador onde foi definido. Os limites que o jogador fixa contam também para os créditos de bónus (Orientação n.º 2/2017).
A autoexclusão (art. 39.º) tem duas escalas. Num site de operador, exclui esse site e só ele. Na plataforma do SRIJ, exclui de todos os sites licenciados. O período mínimo é de três meses, até uma data escolhida ou por prazo indeterminado; terminar ou encurtar uma exclusão só surte efeito um mês após a comunicação. Uma exclusão de prazo fixo suspende a conta e permite levantamentos; uma indefinida cancela a conta e o saldo vai para a conta de pagamento do jogador. E ninguém abre conta durante uma exclusão.
«Proibição» é outra coisa — dá entrada nas salas de casino físico — e nunca se funde com a autoexclusão online. Quem está impedido de entrar num casino não está, por isso mesmo, impedido de apostar online. Misturar os dois mecanismos é a forma mais rápida de um jogador se achar protegido quando não está, ou autoexcluído quando só está de castigo.
Quem precisa de ajuda tem a Linha 1414 — SOS Jogador (ICAD), dias úteis das 10:00 às 18:00, gratuita e confidencial. E há um detalhe final que vale mais do que o número: sites sem licença não estão ligados ao registo de autoexclusão. Uma autoexclusão praticada num site sem licença não protege ninguém, porque não há mecanismo que a faça valer nem autoridade que a receba.
Incentivos: onde um bónus ganha ou perde dinheiro
O SRIJ não proíbe bónus de boas-vindas. O que ele faz é apertar a gramática: os termos têm de mostrar a parte de cada aposta paga a partir do saldo real e a partir do saldo de bónus; o volume mínimo de apostas em dinheiro real necessário para usar um bónus nunca pode exceder o valor do bónus (Orientação n.º 1/2020); as promoções atribuem apenas bónus ou créditos e nunca convertem diretamente em dinheiro (Orientação n.º 2/2018); e os créditos de bónus contam para os limites que o jogador define. Não há tecto em euros para um bónus, não há proibição de bónus de boas-vindas e não há prazo legal para satisfazer termos.
A consequência prática disto é uma só, e é cara: o volume mínimo de apostas exigido para desbloquear um bónus não pode passar do próprio bónus. É o número que decide se um bónus é um presente ou uma armadilha. Uma oferta de 100 € que exige 500 € de volume não é uma oferta — é um brinquedo com anode. E o que faz o efeito prático ser pior, num mercado com esta margem, é que cada aposta avançada nesse volume já paga a margem da casa.
Por isso é preciso saber o que uma aposta grátis é. Nas suas condições habituais, a aposta grátis é um valor de saldo que se pode apostar mas que não é devolvido em caso de ganho — só o ganho é pago. E uma aposta «sem risco» devolvida sob a forma de aposta grátis não é um reembolso em dinheiro: é uma segunda aposta, com as mesmas condições, a repetir. Uma é saldo; a outra é aposta.
A oferta multiproduto da Betano mostra o que uma estrutura por etapas faz: chega a 250 € em quatro degraus — na 1.ª, depositar 10 € dá 30 € para jogar (20 € em apostas grátis e 20 rodadas); na 2.ª, bónus de 100% até 100 € e 5 € em aposta grátis; na 3.ª, 10 € em aposta grátis; na 4.ª, aposta sem risco até 100 €. Os 250 € são a soma dos degraus, não um pagamento único: quem para no segundo leva menos de metade do número do título, e cada degrau tem o seu depósito e o seu requisito.
A ESC Online joga noutra régua e, por isso, é mais fácil de Avaliar: uma aposta grátis de 10 € por cada 10 € depositados, até dez apostas grátis num máximo de 100 €, com cada 10 € apostados em dinheiro real a cotas de 2.00 ou superiores a desbloquear uma, e os ganhos pagos em dinheiro real. O mínimo de 2.00 é o filtro. Quem aceita 1.50 para não perder a aposta grátis está a pagar a aposta grátis por um preço que a casa escolheu, e a escolher o pior momento para o fazer.
Calendário: torneios que existem, mercados que não podem existir
Um calendário de e-sports é um calendário que ninguém com licença em Portugal pode transformar num mercado. O Esports World Cup 2026 tem datas, cidade e prémio — Paris, 6 de julho a 23 de agosto de 2026, 75 milhões de dólares (US$), 24 jogos — e nenhuma das oito casas com licença pode oferecer um mercado sobre ele, porque nenhum dos seus títulos consta da lista de modalidades e competições. É a forma mais limpa de ver a distância entre o que é real e o que é apostável.
Do lado apostável, os mercados que a lista abre dentro do futebol mostram o padrão do que fica de fora e do que fica de dentro. O 1X2, os golos, os cantos, o handicap, o resultado exato e o primeiro marcador aceitam pré-evento e direto. O «próximo marcador», a prolongação e os penáltis só existem em direto. O «pontapé de saída» só existe antes. E os mercados rápidos de «próximo minuto» e de «próximos 5 minutos» estão fora. Uma casa que apresente um mercado rápido não está a ser mais moderna: está a estar fora da lista.
O mesmo vale para o cash out, que não aparece em lado nenhum da lista do SRIJ. Escreve-se apenas como funcionalidade de operador, e é isso que ela é: uma ferramenta da casa, não uma modalidade. E sobre limites, as regras de execução não fixam aposta mínima nem máxima — cada operador pode fixar as suas, publica-as no seu site e aplica-as igualmente a todos os jogadores; limitar ou condicionar a aposta de um jogador ou de um grupo não é permitido (Orientação n.º 1/2017). Um tecto que muda com o evento não é um tecto: é uma leitura do mercado.
As oito plataformas, uma a uma
Casino Portugal — o jogo passa inteiro pela aplicação
A licença n.º 007 é da SFP Online S.A., e é a única das oito que faz do contorno da aplicação o argumento. Depositar e levantar dentro da app, aceder aos principais eventos desportivos para apostar, ter pelo menos 18 anos e conta registada, e um apoio ao cliente que responde por correio eletrónico — sem canal telefónico declarado, o que convém saber antes de um prazo de saque correr.
A avaliação: é a opção mais limpa para quem faz quase tudo pelo telemóvel e não quer alternar entre canal de pagamento e página de apostas. Onde fica atrás das outras é na gama de perfis — sem Cash Out descrito, sem transmissão em direto descrita, sem bónus com condições publicadas. O que a casa não publica, não existe para quem vai apostar.
ESC Online — a única que publica o mínimo de cota
Licença n.º 008, da Estoril Sol Digital, Online Gaming Products and Services, S.A. A oferta de boas-vindas dá uma aposta grátis de 10 € por cada 10 € depositados, até dez, com máximo de 100 €, desbloqueadas por 10 € apostados em dinheiro real a cotas de 2.00 ou superiores, e os ganhos pagos em dinheiro real.
Este é o ponto que quase nunca aparece num cartão de bónus: o preço mínimo da aposta que a oferta aceita. Um mínimo de 2.00 filtra o valor e obriga a procurar — quem aposta o preço que lhe aparece primeiro nunca a aproveita. A avaliação fecha no número, não na palavra: entre as oito marcas, é a que mais facilmente se audita, porque publica o requisito com número. Falta-lhe o resto do report — sem Cash Out, sem streaming, sem sportsbook descrito.
Betano — quatro degraus até aos 250 €
Licença n.º 018, da Kaizen Gaming International Limited. A oferta de boas-vindas multiproduto chega a 250 € em quatro etapas: na 1.ª, depositar 10 € dá 30 € para jogar (20 € em apostas grátis e 20 rodadas); na 2.ª, bónus de 100% até 100 € e 5 € em aposta grátis; na 3.ª, 10 € em aposta grátis; na 4.ª, aposta sem risco até 100 €.
Os 250 € do título são uma soma de quatro andares com depósitos e requisitos diferentes, e quem fica no segundo degrau fica com menos de metade. A avaliação é esta: um bónus que se atravessa em quatro degraus é um caminho, não uma entrada — e a aposta «sem risco» da quarta etapa devolve-se como aposta, o que repete as condições em vez de as remover. O 100% do segundo degrau é a parte mais substantiosa do pacote.
Placard.pt — a primeira marca a exigir uma nota sobre o nome
Licença n.º 013, da SAS Apostas Sociais, Jogos e Apostas Online, S.A. A app para iOS permite apostar nos principais eventos desportivos, acompanhar jogos e apostas em direto e consultar cotas em tempo real. A aposta mínima é de 0,10 €, e os limites máximo e mínimo são definidos pelo operador e variam com as exigências do evento. Há ferramentas para impor limites de apostas, de depósitos e de perdas, e a autoexclusão tem duração mínima de três meses.
O nome merece a nota, porque há confusão possível e ela é feita com frequência: Placard.pt é uma entidade licenciada online, da SAS Apostas Sociais, e não o Placard da Santa Casa da Misericórdia de Lisboa. O Placard da Santa Casa é aposta desportiva de base territorial em talões ou terminais, sob um regime próprio, excluído do âmbito do RJO (art. 2.º n.os 2 h) e i)). São empresas diferentes, sem bases de dados partilhadas nem cotas partilhadas. Dizer «Placard» sem dizer qual é obrigar o leitor a adivinhar a empresa certa.
A avaliação: os 0,10 € de aposta mínima e as ferramentas de limite, depósitos e perdas fazem dela a marca mais próxima do que este quadro legal exige a uma casa — mecanismo, não promessa. Onde fica atrás: o limite máximo depende do evento e do mercado, e o prazo de pagamento não está publicado.
Betclic — Cash Out, FastBet e a licença n.º 001
Licença n.º 001, da BEM Operations Limited. A app para iOS traz Cash Out, que encerra uma aposta desportiva antes de o resultado estar fechado, e o modo FastBet para apostas em direto, em que a aposta fica confirmada em três toques no ecrã. A Betclic apresenta-se como patrocinadora oficial da Federação Portuguesa de Futebol e da Liga Portugal Betclic, com acesso às principais ligas de futebol, ténis e basquetebol.
O Cash Out é a funcionalidade que muda o que uma aposta é: transforma uma posição em algo que se pode fechar antes do fim. O preço vem do mercado de saída, e esse preço raramente coincide com o valor de entrada. O FastBet é ergonomia — três toques para confirmar — e serve quem aposta em direto com um polegar e meio segundo. O patrocínio da Federação e da Liga é presença de mercado e não distinção técnica; a distinção técnica está no Cash Out e nos três toques. A avaliação fecha aí: entre as oito, é a que tem a ferramenta que altera a relação entre o apostador e o jogo.
LeBull — três desportos, e um caminho curto para a autoexclusão
Licença n.º 027, da Southern Stingray, S.A. A marca oferece apostas desportivas em futebol, ténis e basquetebol, com cotas e mercados atualizados em tempo real, numa app pensada para telemóvel. E faz mais do que isso: a app remete para a autoexclusão da página do SRIJ e recomenda definir limites de tempo e de valor.
Ser honesto sobre três desportos é mais útil do que presenting escassez. Quem vive entre futebol, ténis e basquetebol encontra aqui a totalidade da oferta, sem resto a procurar. Quem precisa de MMA, andebol, surfing ou ténis de mesa não tem nada, e há que o dizer. O segundo dado é mais relevante: das marcas com termos publicados, esta é a que liga explicitamente o jogador à autoexclusão do SRIJ — não a da casa, a central, a que barra todos os sites licenciados. A avaliação: o âmbito é o mais estreito das oito, e a remissão para o registo central é o gesto de jogo responsável mais concreto de todo o conjunto.
bwin — diretos e as vias de pagamento que Portugal usa
Licença n.º 002, da GOBET-Entretenimento, S.A. A app inclui transmissões em direto de jogos de futebol e eventos selecionados, e aceita depósitos por MBWay, Multibanco, PayPal, Visa, MasterCard e Apple Pay.
A transmissão em direto é a razão principal para estar aqui: ver o jogo e apostar no jogo é uma vantagem que a lista permite, desde que o tipo de resultado esteja assinalado para em direto. E o cash out — que a casa não descreve nos termos que a marca publica — deixa de ser o único caminho para fechar uma posição. Os métodos de depósito são a parte mais concreta do cartão: MBWay e Multibanco resolvem o dinheiro português sem cartão internacional. Uma ressalva que vale a pena manter: a lista de vias aprovados e a regra sobre carteiras eletrónicas não estão estabelecidas, o que um operador aceita é assunto dele e só pode ser dito a partir dos seus termos. A avaliação: é a marca com a melhor combinação entre ver o jogo e pagar como se paga em Portugal.
Solverde — a casa que diz o que não faz
Licença n.º 024, da Solverde – Sociedade de Investimentos Turísticos da Costa Verde, S.A. A aposta mínima é de 0,10 €, não há limite máximo fixo e o que existe depende do evento, do tipo de aposta e do mercado. Os ganhos são pagos assim que todos os eventos da aposta terminam, num prazo máximo de 15 minutos. E, de momento, a Solverde.pt não oferece Cash Out.
O prazo dos 15 minutos responde a uma pergunta que quase toda a gente faz e quase ninguém responde: quando é que o dinheiro entra. A ausência de Cash Out, dita com todas as letras nos termos próprios, poupa ao apostador a frustração de procurar um botão que não existe — e essa.publicidade, negativa como é, vale mais do que um bónus. A avaliação: é a casa mais transparente das oito sobre o que entrega e o que não entrega, e a que menos promessas tem para falhar. Onde fica atrás: sem máximo fixo, sem streaming, sem bónus com condições publicadas.
Bónus, impostos e o que a licença não diz
O operador paga o Imposto Especial de Jogo Online a 8 % sobre as stakes — o valor apostado, mais qualquer comissão cobrada — e não sobre a receita bruta (art. 90.º). Créditos de bónus usados contam como aposta. A escala progressiva de 8 % a 16 % que artigos antigos descrevem foi revogada: não se escreve «8–16 %».
Do lado de quem recebe, nas regras tal como estavam em outubro de 2026, os ganhos pagos por um operador licenciado não são tributados nas mãos do jogador nem declarados. Essa afirmação é PCIORtada pela imprensa e não está confirmada numa página de autoridade tributária, o que faz do «confirme com a Autoridade Tributária ou com um contabilista» a conclusão honesta, e não uma nota de rodapé. Para ganhos de um site sem licença ou estrangeiro, a posição não está estabelecida — não se escreve «isento», não se escreve «tributável». E a proposta de tributar em IRS os ganhos líquidos anuais acima de 500 € é proposta, não lei. O imposto do selo de 4,5 % sobre o preço de cada aposta e de 20 % sobre a parte de um prémio acima de 5 000 € pertence ao regime de retalho do Placard da Santa Casa e não se escreve para marcas do RJO. Modelo, nunca conselho.
E a distinção da Santa Casa merece uma linha, porque é onde a confusão acontece. A Santa Casa da Misericórdia de Lisboa explores os jogos sociais do Estado — Euromilhões, Totolato, Lotaria, Raspadinha, Totobola — sob exclusividade, e, à parte, o Placard. O RJO exclui ambos do seu âmbito (art. 2.º n.os 2 h) e i)). O Placard não é uma licença do RJO. O Totobola é um jogo de apostas de Estado em pools, não uma aposta à cota de casa, e nunca entra numa lista de casas.
Perguntas frequentes
Em que modalidades e competições se pode apostar numa casa licenciada em Portugal?
Apenas nas modalidades, competições e eventos que constam da lista «Modalidades e competições» do SRIJ, atualizada a 9 de outubro de 2026: futebol, andebol, atletismo, badminton, baseball, basquetebol, ciclismo, críquete, dardos, desportos de inverno, desportos motorizados, futebol americano, futsal, golfe, hóquei em campo, hóquei em patins, hóquei no gelo, MMA, padel, pólo aquático, rugby, snooker, surf, ténis, ténis de mesa, voleibol, voleibol de praia e Jogos Olímpicos. A lista não nomeia e-sports. Aprovar, simples e múltiplas, pré-evento ou em direto, cada modality com os seus tipos e momentos de aposta — no futebol, por exemplo, o «próximo marcador» só existe em direto e os mercados rápidos de «próximo minuto» não são permitidos.
Como confirmo que uma casa de apostas tem licença do SRIJ?
Consulte a lista «Entidades licenciadas» do SRIJ, atualizada a 19 de outubro de 2026, e confirme que a marca detém a licença de «apostas desportivas à cota» e não apenas a de casino; depois veja se o site está sob .pt e se ostenta o logótipo do SRIJ com a referência da licença (art. 30.º). Uma licença estrangeira não vale em Portugal (art. 9.º n.º 3). Figurar numa comparação não é ter licença, e a entidade licenciada nem sempre tem o mesmo nome da marca.
Como se calcula o que paga uma aposta a partir do valor apostado e da cota?
O retorno é a aposta multiplicada pela cota; o lucro líquido é a aposta multiplicada pela diferença entre a cota e 1. Numa aposta de 10 € a uma cota de 1,90, o retorno é 19,00 €, dos quais 9,00 € de lucro. Numa aposta múltipla, as cotas das pernas multiplicam-se para dar uma só cota. O valor devolvido é bruto — a margem da casa já está dentro do preço, não se desconta à parte.
Como se vê nas cotas a margem que uma casa de apostas retém?
Divide-se 1 pela soma dos inversos de todas as cotas de um mesmo mercado e obtém-se o retorno ao jogador; a margem é 100 % menos esse valor. Num mercado de duas vias a 1,90 contra 1,90, o retorno ao jogador é cerca de 52,6 % e a margem cerca de 47,4 % — e é um exemplo ilustrativo, não um preço Cotado de casa nenhuma. A margem é uma propriedade do mercado, não da casa nem da modalidade: a de um mercado de handicaps não é a de um mercado de golos, e a de total de golos também não.
Os ganhos das apostas desportivas pagam imposto em Portugal?
Nas regras tal como estavam em outubro de 2026, os ganhos pagos por um operador licenciado não são tributados nas mãos do jogador nem declarados — mas o anúncio é da imprensa e não está confirmado numa página da Autoridade Tributária, por isso a confirmação com a autoridade ou com um contabilista continua a ser o passo certo. Para ganhos de sites sem licença a posição não está estabelecida. O imposto especial de jogo online é pago pelo operador, a 8 % das stakes.
Que limites de depósito e de aposta existem numa casa licenciada em Portugal?
Não há tecto legal em euros para aposta, depósito ou perda: a lei exige mecanismo. O plano de jogo responsável do operador tem de permitir definir limites de valores depositados e de apostas, pelo menos um deles diário, semanal ou mensal, válido apenas naquele operador, e a Orientação n.º 2/2017 establish que os créditos de bónus contam para esses limites. Quem quer números fixos encontra limites de operador publicados no site — duas das marcas aqui revistas colocam a aposta mínima em 0,10 € e não fixam máximo.
Produzido pela redação de «Apostasboxe».
